USP
Autor Carlos Eduardo Oshiro
Siga no Twitter @carlososhiro
Um fato ocorrido recentemente em uma das Universidades mais conceituadas do País, acende um sinal de alerta sobre a triste realidade da atual juventude brasileira. O problema não é a ocupação e os protestos – situação normal nessa idade – mas, o motivo da ação. A questão do imbróglio chega ser fútil de um lado, e muito importante se percebido de outro ângulo. Para uma minoria, a presença da polícia tira a “liberdade” dos alunos, e para os estudantes com objetivos profissionais, a presença da força pública cria uma sensação de segurança dentro de um grande campus mal iluminado. Mas, esse assunto é apenas o problema superficial do fato em si.
A passividade dos jovens.
Talvez, o maior motivo de qualquer escola é estimular os jovens a provocar mudanças que possam não somente impactar suas vidas, mas a de seu País, e quem sabe o mundo. Infelizmente o estudante brasileiro dos nossos tempos, apesar da infindável fonte de informação disponível, hoje é uma geração sem idealismos e sem objetivos. É uma triste realidade perceber que os nossos filhos crescem em um ambiente muito mais promissor, mas sem a mínima vontade em fazer a diferença por causas que no passado eram consideradas essenciais. O individualismo hoje supera o todo. O caso da USP, apesar de ser promovida por uma minoria, generaliza a imagem de praticamente todos os que lá estudam. A inércia da grande maioria, infelizmente traz uma imagem que talvez seja a realidade de parte dos jovens brasileiros: A passividade.
Os caras pintadas.
Os caras pintadas de outrora, que foram as ruas mudarem a história do Brasil, hoje são representados infelizmente por uma geração da internet, que são alheios a praticamente tudo que acontece a sua volta. Existe o acesso a informação, mas falta a atitude diante dela. É perceptível a falta de renovação da política brasileira, e o berço do passado de grandes revolucionários que eram os diretórios acadêmicos, hoje praticamente inexistem. Enquanto se discute se a polícia ocupa ou não o campus, a corrupção no País e a votação da Lei da Ficha Limpa, não merece nenhuma atenção ou protestos pela classe que deveria ser a maior esperança de mudanças no Brasil.
Geração Y.
A geração de nossos pais possuíam idealismos como a busca pela liberdade em si. A nossa foi marcada pela mudança na forma de elegermos nossos governantes. E a geração atual – chamada de Y – é movida pelo desapego as coisas e as empresas. Querem crescer muito rapidamente, incluindo nessa trajetória, pular alguns passos se preciso, mas sem saber como e nem onde se quer chegar. A juventude atual não possui uma causa.
E quem é o principal responsável por essa passividade? O nosso próprio sistema de ensino, que ao invés de também orientar os melhores comportamentos e saber agir sobre uma meta, apenas repassam o conhecimento, que muitas vezes nunca iremos utilizar em nossas vidas. Qual o percentual de pessoas que utilizaram alguma vez o significado do seno, cosseno e hipotenusa? Por que saber quanto vale um “pi”? É preciso reinventar a nossa educação, e ensinar propósitos de vida, comportamentos e valores. A diferença e a chave para o crescimento de cidadãos e nações, estão em causas e idealismos mais nobres. Momento de reflexão...
Data: 21/11/11
targo@targo.com.br
Compartilhar
|