Talento x Estrelismo
Autor Carlos Eduardo Oshiro
Siga no Twitter @carlososhiro
A grande tônica da semana futebolística foi o confronto entre o craque Neymar e o seu (ex) chefe Dorival Júnior. Perdeu o técnico. Aliás, perdeu o time do Santos, com a possibilidade de “educar” seu jovem craque, e dar uma grande prova de profissionalismo e princípios. Nesse momento caiu um técnico vencedor, que em 2010 conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. E temporariamente Neymar também teve prejuízos, pois está afastado da Seleção Brasileira pelo menos para os dois próximos jogos. Provavelmente novos capítulos de mal comportamento virão ao longo de sua vida. Somos acostumados a lembrar de “filmes” desse tipo, e o mais recente foi o do jogador Adriano pela não convocação para a Copa. Holofotes e fama unidos com imaturidade e riqueza precoce, traz uma combinação explosiva para pessoas famosas. A falta de equilíbrio emocional e comportamental são as grandes causas das quedas de grandes profissionais. A pergunta é: Até que ponto o talento pode passar por cima da disciplina e do conjunto? O resultado está acima de qualquer atitude? Muitas empresas convivem até o último limite com colaboradores dessa estirpe. Ou seja, aquele que é um grande conhecedor de suas atividades, e que traz um grande resultado para a corporação; mas no dia-a-dia, não respeita seus colegas, não consegue viver em harmonia, e as vezes até humilha o seu semelhante. Qual é o limite do estrelismo? Até onde a organização e os colegas devem agüentar tal tipo de constrangimento? Quem já tomou uma decisão radical contra o “estrela” e optou pelo grupo, talvez tenha sentido o alívio em exterminar a peça contaminante, e optar pela felicidade do “todo”.
Em segmentos onde o glamour e a arte estão presentes, a fogueira das vaidades é o principal desafio da profissão. Por isso a importância de um grande empresário próximo. Aliás, ele deve também fazer o papel de pai, guru e anjo da guarda. As câmeras e flashs são altamente nocivas a qualquer profissional sem preparo. Existem algumas referências de finais felizes ante a um confronto, quando uma das partes calça as “sandálias da humildade”. Exemplo recente, é a reconvocação do levantador Ricardinho para a Seleção Brasileira de Vôlei. Em 2007, ele foi cortado pelo técnico Bernardinho (um grande exemplo de vencedor) às vésperas do Pan. Motivo? Indisciplina comportamental. Na época, teve até quem pregasse que o técnico tivesse praticado nepotismo em prol do filho (também levantador) Bruninho. Mas, como Bernardinho só coleciona vitórias, a tese foi corroborada pelos resultados obtidos.
Mais uma vez fica provada a importância do comportamento no sucesso das pessoas. Ele alavanca ou derruba grandes talentos. Pelo menos, na vida corporativa tem sido assim. Já no mundo dos esportes... A diretoria do Santos que o diga. Venceu o menino rebelde e que se acha o dono do mundo. Vamos acompanhar os próximos capítulos.
Data: 27/09/10
targo@targo.com.br
Compartilhar
|