Os novos "caras pintadas"
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Me lembro bem da época das movimentações estudantis pró-diretas, que mudou o cenário político desse país. Eram passeatas, concentrações de pessoas se multiplicando por todo país, e em uma verdadeira “onda” não teve mais como voltar. Nem a mais poderosa rede de televisão conseguiu sucumbir toda essa campanha. E com isso o Brasil mudou. Caiu a ditadura militar, e hoje podemos eleger livremente quem nos governa. De lá para cá, temos assistido uma evolução do novo poder, dos novos ricos, ou seja, uma nova forma de administração pública. Muita coisa mudou, isso é indiscutível; mas a avalanche de corrupção e impunidade tomaram proporções devastadoras para o crescimento e o que é pior, para nossa dignidade de cidadão. Ficava pensando, onde se encontrava nossa coragem para dar um basta em toda essa situação? As gerações passadas eram menos acomodadas? Atualmente os jovens saíram das ruas, inclusive com suas brincadeiras, para se enclausurarem em seus lares, e passaram a se comunicar e divertir apenas virtualmente? E o pior, convivendo e se acostumando a tudo que acontece ao seu redor? Eis que surge uma luz no fim do túnel! Essa semana eu vi uma movimentação no mais revolucionário meio de comunicação da atualidade – twitter – onde uma “ondinha” está se formando, para podermos dar o nosso grito de liberdade e insatisfação contra todo esse “tsunami” de corrupção que assola o país. Tive a oportunidade de presenciar, um grupo de pessoas se mobilizarem em questão de horas e em locais totalmente diferentes, e criarem uma forma de protesto contra uma lei aprovada recentemente pelo poder municipal. Dessa “confraria” – se assim podemos chamar – saiu o nome do movimento, foi “layoutado” um outdoor, e pasmem, foram arrecadados valores para se veicular essa campanha. E nessa nova forma (que nem é tão inédita) de comunicação, onde a censura não existe, qualquer mortal pode expressar o seu pensamento, pode demonstrar a sua indignidade e o que é mais importante: pode movimentar milhões de pessoas por uma mesma causa. Há de se cuidar porém, que não se pode anarquizar para não se perder a credibilidade, ou seja, “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”. E me parece, que vem da “geração Y” (os nascidos a partir de 1978), essa nova forma de protesto para que, possamos dar um basta em tudo que presenciamos na política atual. Ao invés apenas dos gritos dos “caras pintadas” em gerações passadas, esse grupo tem uma verdadeira rede de comunicação que podem divulgar vídeos, fatos e fotos. O nosso poder de polícia tem toda uma tecnologia a disposição. Todo cidadão hoje tem uma “arma”, que pode filmar, gravar, se reunir e “postar” para o mundo todo a sua “prova”. Os mais antiquados é que ainda não perceberam isso, e tem caído em armadilhas no estilo filme 007. Nesse novo território que se forma, onde a lei ainda não é clara, surge a grande oportunidade de mostrarmos a nossa força de eleitor e cidadão. A salvação literalmente está em nossas mãos, ou melhor, dedos. Que tal construírmos uma nova história, e fazermos parte da geração “dedos pintados”? O ano de 2010 promete...
Data: 04/01/10
targo@targo.com.br
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