O futebol nosso de cada dia
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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O Futebol é um dos esportes que mais se assemelham ao nosso mundo corporativo, e em época de reta final de um dos campeonatos brasileiros mais acirrados dos últimos tempos, tomemos como exemplos alguns fatos que comprovam essa tese.
Quase todos os aspectos comportamentais necessários para que um profissional tenha sucesso no segmento empresarial são necessários para o jogador de um time. Somente para citar alguns: trabalhar em equipe, liderar, assumir riscos, focar resultados e cumprir regras. O já tão batido trabalho em equipe, talvez seja o que mais se encaixa na comparação. O famoso termo de que o time está entrosado, de que os jogadores se falam por olhares, e que “jogam por música”, é o sonho de toda empresa. O conceito de que todos os integrantes são importantes para o grupo, no futebol é levado à risca. E disso, saem comparações criativas de que a defesa é o financeiro, o meio campo é o administrativo e o atacantes são os vendedores. E é normal ouvir que vendas é o departamento mais importante, pois é o que traz o recursos para se pagar desde os salários, até as dívidas da organização. Ledo engano. Todos são valiosos para levar um time à vitória.
O gerente da empresa é comparado ao técnico da equipe. Todos os atributos de um verdadeiro líder têm que estar inserido em um “coach”. E mais, a sensibilidade em lidar com “estrelas” tem que estar presente. Pois os holofotes da mídia, acabam por confundir a profissão com artistas da bola. E quantas “estrelas” temos em nosso mundo corporativo, não? Aqueles que querem brilhar mais do que os outros. Ou seja, jogam apenas para benefício próprio e querem ser tratados de forma diferenciada.
Os torcedores são equivalentes aos clientes. Com uma diferença: Enquanto os consumidores trocam de marca a qualquer instante, os fanáticos pelo time “brigam” e torcem pelo seu clube até a morte.
A guerra de talentos é outro fato marcante, onde o desafio é reter os que se sobressaem. E nisso, os clubes brasileiros tem perdido para seus concorrentes europeus. A responsabilidade em assumir riscos também está muito presente nos dois casos. Em determinados momentos, a decisão solitária de um CEO pode ser equivalente ao ato de chutar um pênalti em uma final de Copa do mundo. A escolha correta está em suas mãos. Daquele momento está o sucesso ou fracasso de meses de trabalho. A única diferença é que na empresa, a responsabilidade está nas mãos do cargo mais alto, e no futebol, nos pés de um “colaborador”. Por isso a “pérola” de que, o batedor oficial de pênaltis do time deveria ser o presidente do clube.
A ética atualmente está em voga na comparação, ou não? O gol de mão do atacante da França que classificou o país para a Copa 2010, deve ter tirado noites de sono de Henry. E de outro esporte vem um exemplo máximo desse item. O tenista Andy Rodick na final de um torneio de tênis, acusou um ponto contra si próprio, que lhe daria o título. Fez o juiz voltar o saque, e com essa atitude perdeu o game e depois o título. Ganhou muitos aplausos, e o mais importante: dignificou e eternizou o seu caráter e credibilidade. Que bom seria que em Brasília todos fossem assim.
Data: 07/12/09
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