O desafio do ensino
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Em recentes trabalhos realizados em instituições de ensino, tenho me preocupado muito com um dos grandes males que atacam os tempos atuais. Na realidade, isso já vem de longa data, mas se acentuou muito com a velocidade das informações e com o novo perfil dessa geração y que chega ao mercado. A falta de atenção concentrada, conhecida também como dispersão, tem se tornado a grande inimiga do ensino moderno. Infelizmente, um grande percentual de alunos em sala de aula está somente com o corpo presente, enquanto a alma passeia em outros lugares e pensamentos. Essa desatenção tem trazido sérias conseqüências no aprendizado, e é necessário o sistema reinventar a forma de ensinar. Apenas o professor falar e o aluno ouvir, é um modelo praticamente falido em nossos tempos, mas que infelizmente funciona nesse formato em quase todas as escolas. Uma das possíveis saídas é a interatividade, ou seja, arrumar alguma forma de fazer com que o aluno pense, participe e aprenda, sem perceber que está sendo ensinado. Tudo isso de um modo lúdico. Muitas salas já possuem sistema multimídia, mas, nesse caso apenas se troca a fala do mestre, por imagens e sons. É preciso muito mais, é necessário incluir as dinâmicas e os trabalhos em grupo que levem os alunos a entender e participar. E o que é mais importante para o sucesso: Se expor mais. Uma das alternativas que surgem é aliar a internet para haver interação e conseguir medir em tempo real se o aluno está compreendendo. Agindo assim no dia a dia, talvez conseguíssemos eliminar as temidas provas periódicas - onde todos entram em desespero - e substituí-las por quiz (jovem adora essa linguagem) diários. Um grande desafio para essas mudanças é quebrar também paradigmas dos orientadores.
A ansiedade e a impaciência são conseqüências desse mal do mundo moderno. Ninguém mais consegue assistir TV em paz, pois sempre há alguém “zapeando” os canais, na ânsia de captar uma informação melhor. Hoje, nossos filhos fazem várias atividades ao mesmo tempo. Estão na frente do computador, ouvindo a TV e conversando com amigos na net. E essa infinidade de ações paralelas colabora para que soframos do tal do déficit de atenção concentrada. Nas empresas não é menos diferente. Os treinamentos têm baixa captação, e os erros acontecem pela falta de atenção nas informações passadas. Tudo é muito rápido, e as falhas acontecem pelo ruído existente entre emissor e receptor. Um transmite muito velozmente e outro tem dispersão na captação. E daí para frente, já da para ter uma idéia do que vai acontecer com a operação. Isso ocorre constantemente em nossas organizações, desde simples reuniões internas, até em visitas a clientes. A falta de atenção está se tornando muito comum em todos os níveis de nossa vida. E isso tem acarretado grandes prejuízos, alem de preparar mal nossos filhos para a vida profissional. É necessário reinventar. É preciso mudar. O desafio do aprendizado é se adequar a velocidade que as coisas acontecem. O mundo está em mutação e a nossa educação precisa acompanhar.
Data: 07/06/10
targo@targo.com.br
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