O Crachá
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Um pequeno objeto de aproximadamente sessenta centímetros quadrados, que na concepção normal deveria servir apenas para identificar o nome e o cargo do profissional, tem uma grande conotação de poder agregado. Apresento lhe o crachá! Por trás desse mero identificador, e no peito de pessoas sem preparo, ela se torna uma perigosa arma contra os outros e para si mesmo.
Presidente, Superintendente, Diretor... Quanto mais alta a patente, mais a pessoa que leva a identificação tem que estar preparada. Diga-se de passagem, preparada para lidar com gente! Todas essas funções da alta hierarquia, deveriam acrescentar à nomenclatura “de pessoas” no cargo. Presidente de pessoas, Diretor de pessoas, e por ai vai...
Dou minhas razões: Primeiramente, que sem perceber, essa pessoa é o centro das atenções de todos os colaboradores, por onde passa, da forma como se veste, de como se porta e de como se comunica. É um modelo positivo ou negativo para seus funcionários. Segundo: A sua sala deveria ser no centro da empresa, ou seja, onde todos pudessem acessá-lo (com algumas regras é claro) e todos teriam visão. Se as persianas estivessem fechadas ele não poderia ser incomodado e vice-versa. Nesse item de reserva e proteção, é que a maioria dos grandes cargos costumam errar. Suas enormes salas normalmente ficam no fundo da empresa, são protegidos por secretárias e câmeras, e algumas vezes até por seguranças particulares. E essa distância, incluindo os clientes, o levam a ficar cada vez mais longe do seu patrimônio mais importante: As pessoas! Quem assume essas funções do topo da pirâmide, deveriam no mínimo reservar um tempo diário ou semanal, para circular pela empresa, pelo menos para dar um bom dia com um sorriso no rosto. Esse simples gesto tem um grande impacto na formação da liderança, pois demonstra humildade, consideração e em outras palavras (silenciosas) transmitem: “Você é importante para nós”. Muitos dos que são alçados a essa função já vem com um pacote anti-gente: Entrada privativa, garagem reservada, elevador exclusivo, etc. Quando deveria ser: “Você foi promovido, sua sala agora é no centro da empresa, e cuidado, agora você estará sempre em cima do palco”.
Quando você assume algum cargo estratégico, é hora de abrir portas a todos e criar relacionamentos externos. E normalmente acontece o contrário, ou seja, os novos poderosos costumam se enclausurar e se proteger de tudo e de todos. Esse é um grande momento para você aproveitar a função e se fazer presente também como pessoa, e dizer como você é, através da função estratégica que a organização lhe deu. A sociedade deve lhe reconhecer primeiramente pelo seu comportamento e não pelo seu crachá, pois se você perder a função no futuro (e vai perder um dia!), as pessoas lhe reconhecerão pelo seu nome de certidão de nascimento, e não pelo seu identificador de peito. Se você sempre trabalhou de forma acessível, o mercado lhe abrirá as portas, caso contrário o inverso acontecerá. O poder costuma cegar, calar e distanciar as pessoas. Se quer conhecer alguém na essência, dê lhe poder! Se quiseres saber quem são os amigos verdadeiros, tire lhe o crachá! As verdadeiras amizades e relacionamentos, advém da política de portas abertas.
Data: 05/09/11
targo@targo.com.br
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