O corpo fala
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Muitos dizem que a comunicação é a base da liderança, e a chave para que as portas se abram ao longo de nossa trajetória profissional. Uns já nascem com esse talento, e outros precisam aprender ou aprimorar ao longo da vida, e muitos inclusive superam o desafio, já que falar em público está entre os maiores medos do ser humano.
Comunicar não é ter apenas o dom da palavra, aliás, esse item representa apenas 7%, enquanto o tom de voz tem um peso de 38%, e completa o conjunto, os 55% dos gestos. Isso relata que as palavras bonitas e muitas vezes técnicas, não ajudam em nada a impactar os ouvintes. O tom de voz tem um peso importante na comunicação, e não é a toa que os locutores de rádio conseguem prender nossa atenção, sem ao menos imaginarmos como são suas características físicas. Mas, para quem possui uma voz muito grossa, é necessário “policiar” o tom, pois pode transmitir medo no momento da conversa. Quando não percebemos isso, perdemos eficácia no convencimento aos outros. Imagine um professor com muito conhecimento teórico, mas cuja aula não prende a atenção dos alunos. Esse é um exemplo típico da forma de ensinar monótona, pois normalmente eles utilizam um tom de voz constante e sonolento, dispersando a atenção dos estudantes. O correto é ter uma alternância de altos e baixos na fala, pois dessa forma consegue se prender a atenção do interlocutor.
Seu chefe grita?
O grito quando utilizado, demonstra total perda de compostura, razão e transmite medo e pânico ao outro lado. Você deve se lembrar de chefes que alteram a voz, quando perdem a paciência, e o recado que ele passa com essa atitude é: “Sou um líder desequilibrado”. Os pedidos de desculpas com uma dose de humildade costuma funcionar, mas a freqüência afugenta o colaborador e transforma a comunicação em assédio moral. Mas, a parte que mais fala sem emitir som, é o nosso corpo através de nossos gestos e é o que menos percebemos em uma conversa. As mãos suadas podem demonstrar nervosismo, o choro mostra o pânico, e incrível, o sorriso pode sinalizar tanto a alegria como o desespero. Isso explica, porque pessoas em uma conversa séria e pesada, esboçam bocas sorridentes. Ele está sinalizando que não concorda com suas palavras, e dá uma sensação que está zombando de nossas falas.
Os politicos usam muito os gestos?
As mãos dando socos na mesa, o punho em riste, significa o poder e a imagem de estar falando com convicção, e ao mesmo tempo pode gerar uma interpretação de que as palavras, e os fatos não convencem mais, por isso é necessário utilizar dos gestos. Creio que você deve se lembrar de políticos convictos em bancadas do plenário e das CPIs, que fizeram uso desse artifício, e no outro dia entregaram o cargo.
Nas técnicas de negociação, diz a ciência e os estudos, que quando os gestos e o corpo dos que estão frente a frente, passam a fazer os mesmos movimentos sincronizados, sinalizam que estão entrando em “rapport” e provavelmente irão chegar a um acordo.
Os braços cruzados, o aperto de mão sem firmeza, os olhos que não fixam o interlocutor, são sinais que o corpo emite e que muitas vezes passam desapercebidos em uma conversa. A voz, um dos componentes da comunicação, tem um valor intermediário no processo da venda. Com suas raras exceções, Anderson Silva – campeão do UFC – é uma prova viva de que o paradoxo às vezes faz encher os bolsos. Os cachês das campanhas de TV sinalizam isso. A “bela” voz fez a diferença.
Data: 28/11/11
targo@targo.com.br
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