O carisma
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Desde o período de Tancredo Neves (que não chegou a tomar posse e ficou apenas como uma incógnita), todos os governantes que passaram pela presidência, nenhum teve a simpatia e o carisma de Lula. Independente de facção política, há de se concordar que tem tudo a ver o slogan “Lula paz e amor”. Todo político deve ter esse pré-requisito em seu comportamento, seja ele forçado ou não (a maioria é treinada, não natural), e o maior trunfo do ex-presidente é que ele nasceu com esse dom. Em função disso, deixou o poder com um dos maiores índices de popularidade que um líder já teve no País. Saiu de “bola cheia”. O artigo de hoje não tem objetivo de avaliar o governo Lula - pois isso seria mexer em um vespeiro – mas sim, reconhecer o seu poder de persuasão, simpatia e identificação com o modo do povo brasileiro.
Com o seu jeito largado, sorridente, brincalhão, e até certo ponto “bonachão, a ponto de deixar o cerimonial de “cabelo em pé”, sobre que besteira poderia falar fora do script, Lula foi dando uma marca exclusiva em seu governo, a ponto de tornar o Brasil muito mais conhecido mundo afora. Um simples operário que já havia perdido vários pleitos, e com apenas o ensino médio em seu currículo, deixa um legado que os seus antecessores não conseguiram em gestões passadas. Nunca o País esteve tão em evidência e teve voz forte nos encontros internacionais. Mesmo sem curso superior, o Lulinha nunca se intimidou, falou de igual para igual, e inclusive “peitou” líderes de países desenvolvidos. Isso vem comprovar que as competências técnicas são importantes, mas não tanto quanto as comportamentais. Luiz Inácio é uma prova concreta dessa tese. É claro que ele teve a seu lado alguns acontecimentos mundiais como a crise, que fez fortalecer os países emergentes. A sorte costuma acompanhar os competentes. Esse tipo de perfil apesar de ter todos essas benesses de carisma, tem dificuldades de controles, gestão e rejeição. Os dois primeiros comprovam os inúmeros escândalos que ele dizia não ter conhecimento, e o último justifica a volta de todos os “ex-companheiros” que nunca foram abandonados. Lula deixa uma sucessora que terá mais do que um desafio de gestão, mas, também de ter a alegria e a simpatia de seu criador. Dilma parece ter o perfil de ser mais durona, mais direta e que preza muito a execução. De bom, esse jeito de ser, tem como principal atributo o foco no resultado. Sai a gestão desligada de Lula – que nunca sabia de nada - e entra a administração exigente, onde quem sofre são os colaboradores. Tipo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Saem os holofotes, e entra o chicotinho. Sai o “super star” e entra a “líder fabricada”. Vamos ver o que dá. Vamos dar tempo ao tempo. Boa sorte!
Data: 17/01/11
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