O Bonzão.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
Siga no Twitter @carlososhiro
Eles possuem características semelhantes. Normalmente são bem relacionados socialmente e culturalmente. Os discursos são bonitos, são bons oradores, e à primeira vista é o sonho de consumo e a solução para as grandes empresas envolvidas com problemas de gestão. Consegue fazer um marketing pessoal como ninguém, e no ambiente onde vivem é quase impossível não conhecê-lo, pois sempre está por trás de algum grande projeto. A inteligência é perceptível em um primeiro contato, e normalmente é usado de forma exuberante no convencimento de outras pessoas. Como nem tudo é perfeito, esse profissional – ou personagem, se assim podemos chamar – tem sérios problemas comportamentais. A convivência com ele no dia a dia só é tolerado pelos seus subordinados, talvez pela conveniência da manutenção do emprego. As idéias apenas são válidas se virem de sua mente, e somente são colocadas em prática se tiverem esse pré-requisito. A estratégia para lidar com essa pessoa, é “vender o peixe” fazendo o pensar que a “sacada” foi dele. E esse tipo de comportamento faz ruir qualquer motivação, a começar de sua equipe. Na grande maioria das vezes, “o bonzão” não consegue perceber o quão maléfico são suas atitudes, mas para ele, a sua forma de ser é a “melhor do mundo”. Se acha. Gosta de formar sua equipe sozinho, ou seja, ele também é muito bom em recrutamento e seleção, mas infelizmente, a contratação é baseado em quem não possa brilhar mais que o chefe. Portanto, a equipe é formada somente por pessoas na “média”, para não ter que dizer outra coisa. Perante os outros, costuma defender a sua turma até o fim, e faz isso com maestria. Mas, quem trabalha no seu grupo, consegue perceber claramente que não passa de mero boneco manipulado em prol do “próprio”. Perante os outros departamentos, costuma criticar duramente a todos, e é perceptível que apenas seus projetos são bons. Quando um outro colega começa a se sobressair, é normal iniciar as campanhas de bastidores para “derrubá-lo”, pois nesse mundo em que vive, ser a estrela principal vale mais que qualquer outra coisa. A busca pelo poder é uma saga a ser sempre perseguida, e o sonho é buscar a ascensão antes do tempo. Quer crescer rápido atropelando a tudo e a todos, ou seja, o tempo e as pessoas. Para uma coisa temos que “tirar o chapéu”, normalmente tem o que costumamos dizer dos artistas: presença de palco. Quando chegam em algum lugar, são rapidamente percebidos, e se tornam a atração do momento. Esse tipo de personagem é extremamente nocivo a organização. Normalmente são demitidos quando já não é mais possível se conviver ao seu lado, pois até os seus superiores “pisam em ovos” para se adaptar a essa situação. Costumam dizer: “Ele é assim, mas traz resultados”. Na realidade, é indiscutível a capacidade desse perfil em executar, mas; desde que seja conveniente para ele, e não para o grupo.
Esse é o típico caso da frase já tão batida aqui nesse espaço: As pessoas são contratadas pelo conhecimento, e demitidas ou promovidas pelo comportamento. Toda grande empresa, tem o seu “bonzão”, apenas temos que aprender a conviver. Até que a paciência se esgote.
Data: 09/11/09
targo@targo.com.br
Compartilhar
|