O aprendiz
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Como acontece em toda empresa, os programas de TV também promovem os seus “troca-trocas” a cada temporada. E nada melhor do que podermos tirar a nossa “casquinha”, e criticarmos abertamente, sem medo de ser demitido, quem tem o poder de avaliar os outros em um programa que traduz uma realidade da nossa vida corporativa. Na semana passada, o programa “O aprendiz” retornou a telinha, só que dessa vez sob o comando do simpático João Dória (leia-se Show Business). Resumindo: Saiu o sisudo e arrogante personagem de Roberto Justus (o dublê de cantor), e entrou o carismático Dória Jr. Os comentários de quem curte esse tipo de programa, foram centrados na diferença em como os dois tem a capacidade de demitir. Um de uma forma mais fria e dura, enquanto que outro, de um modo mais sensível e carinhoso. Aliás, para muitos, demissão é sempre cruel e ponto final.
O nosso objetivo no artigo de hoje não é analisar o programa, mas trazer à tona, o quanto o carisma é importante na liderança dos tempos atuais. No passado – Era industrial – o foco eram as máquinas e os processos, e os colaboradores eram tratados como tal. Não tinham muito o poder de pensar, e o seu trabalho se baseava apenas em operar. Nos tempos atuais – Era do conhecimento – os profissionais têm o direito e a capacidade de pensar, e o que é mais importante: o poder de escolher onde quer trabalhar. Pelo menos, para os mais competentes. Essa análise na realidade, possuem dois grupos muito claros de modos de liderança. Os que levantam a bandeira dos resultados sendo o que mais importa, e os que acreditam que saber lidar com pessoas é o item mais vantajoso de um verdadeiro líder. Eu acredito que existem prioridades, onde, trazer resultados é o que mais interessa em um gestor, e se ele tiver a capacidade de ser um “Silvio Santos” todos os dias, faz toda uma diferença. Aliás, o conceito de líder de fato, é o que foca resultados e consegue envolver as pessoas em busca do mesmo. Mas nunca o motivar deve vir à frente dos resultados, ou seja, se tiver que optar, escolha o segundo. O motivar está ligado diretamente na forma como o gestor fala com seus colaboradores. Eles podem transmitir o mesmo recado, de formas diferentes. Essa é a grande diferença entre os perfis de Justus e Dória no programa O aprendiz. Se avaliarmos a performance empresarial, os dois são empresários de sucesso e bem sucedidos; mas pelo que parece, a diferença está no quesito emocional. O antigo apresentador fala com a razão, enquanto o atual consegue colocar um tempero pessoal de empatia e carisma. Isso, nos dias atuais faz toda uma diferença. E você como líder? Está mais para Roberto Justus ou João Dória? Um tem o perfil apenas do empresário bem sucedido, enquanto o outro mostra ser além disso, um verdadeiro líder. Pelo menos é o que parece, pois TV é uma grande incógnita. Às vezes, o lado artístico da apresentação se confunde com o jeito verdadeiro de ser. Mas, descobrir isso não é o nosso objetivo. Queremos apenas estimular a reflexão. Pense nisso.
Data: 26/04/10
targo@targo.com.br
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