Jobs. Um gênio. Um legado.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Há tempos divulgo uma tese de que as pessoas são contratadas pelo conhecimento e demitidas ou promovidas pelo comportamento. A passagem de Steve Jobs pela Terra, e conseqüentemente o seu legado em cima dos produtos “i”, me fez repensar tal frase, e admitir que talvez, quando se fala em tecnologia, inovação e descobertas, o comportamento não seja item relevante no sucesso das pessoas. É fácil perceber que os grandes gênios se destoam da maioria dos mortais. Assim foi Einstein, Da Vinci, Freud, somente para citar alguns. Desacreditados e considerados até loucos em determinados momentos, deixaram vários ensinamentos para a humanidade por pensarem diferente, e acreditar cegamente que estavam certos. Os gênios vivem o seu mundo - alguns são comparados a autistas – e são de difícil relacionamento com as outras pessoas.
O perfil ditador.
Para os que tiveram oportunidade de conhecer Jobs, ele era considerado impaciente, terrorista, intolerante, ditador e “mão de ferro”. Pressionava a todos pelo perfeccionismo, e em muitas vezes demitia equipes inteiras por acreditar serem incompetentes. São poucos os diferentes que conseguem deixar um legado, pois o diferencial está na cabeça e no paradigma. E para colocar a idéia em prática, não se ouvem os outros, pois nesse caso o “novo” será descartado pelo consenso dos que pensam normal. Jobs não fazia pesquisa, e costumava atropelar as pessoas que não acreditava em suas teses. Isso fazia a diferença. Era o seu mundo e a sua forma de vê-lo.
Menos é mais.
Para Jobs, a estrela era o produto. E conseguia fazer um lançamento, como nenhum outro expert e estudioso em marketing. Para ele, menos se traduzia em mais. Poucas explicações e pouco tempo eram necessários para mostrar a dimensão da inovação. Quanto mais simples e criativo melhor. Assim nasceu o I Phone, um telefone que deveria ter apenas um botão. Steve era reservado, de poucas aparições, envolto em vários enigmas, enfim, um anti-marketing de popularidade. Os gênios são assim. Lembram-se dos “CDF’s” da nossa sala de aula? Mais ou menos parecido. Segundo o homem - John Sculley - que lhe demitiu da própria empresa, ele era uma combinação de Thomas Edison, Henry Ford e Walt Disney. Conseguiu transformar tecnologia em magia. Steve foi demitido por se recusar a licenciar o sistema operacional do Mac.
O sucessor.
O engenheiro industrial Tim Cook é quem tem agora o grande desafio de suceder Jobs. Entrou na empresa em 1998, e ao contrário do líder, tem um comportamento mais calmo, educado e perfil voltado para planilhas e controles. Era um contraponto do gênio. Será apenas uma pessoa normal?
Frases e números marcantes.
Steve Jobs deixa algumas lições (fonte: Revista Info): Encare as decisões difíceis e não se deixe levar pela emoção; seja quase um déspota, afinal alguém tem que dar ordens; não dê muito ouvidos a seus compradores, eles provavelmente ainda não sabem o que querem; demita os idiotas e foco, muito foco. Focar é o mesmo que dizer não. Perceba que em meio as frases geniosas, existia um individualista extremamente racional. Curiosidades em números: Zero era a quantidade de diplomas universitários de Jobs. 96% dos compradores se dizem muito satisfeitos ou satisfeitos com o iPhone. 350 bilhões era o valor da Apple no início de outubro, e isso representa a segunda empresa mais valiosa do mundo. O desafio está lançado. A Apple continuará amelhando amantes ao redor do mundo? O tempo é a resposta para os seus sucessores, acionistas e seguidores.
Data: 31/10/11
targo@targo.com.br
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