Fogueira das vaidades
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Na maioria das organizações, o grande desafio não é implantar processos ou melhorar as gestões, mas sim em ter a paciência e perspicácia em administrar a “fogueira das vaidades” das pessoas. A começar pelos líderes. Uns mais, outros menos, mas quando supostos ou dublês de comandantes são colocados em “xeque” no que tange ao poder, começa o suplício do convencimento da necessidade de mudanças. A pergunta que normalmente é feita na mente dos medrosos: “Isso que a empresa está querendo fazer, me ameaça ou me incomoda?” Se a resposta for sim, inicia-se o jogo dos bastidores para que as mudanças não aconteçam. O medo pelo novo, ou a possível perda de espaço ou poder, são obstáculos ocultos que muitos gestores não conseguem identificar, e que são os maiores problemas, se não, o mais desafiador de qualquer organização. Quanto mais distante o “dono do negócio” está, mais difícil é a possibilidade de implantação de qualquer processo de inovação. O desafio não está no treinamento, mas sim, na gestão de como fazer os colaboradores comprarem a idéia e a mudança. Novamente, a começar pelos líderes. Em alguns segmentos é notoriamente mais difícil se lidar com essa administração dos egos. Áreas que trabalham com o lado artístico, com a exposição de imagens, e que tornam pessoas em celebridades, são os mais complicados. Em tempos de copa do mundo, podemos dizer que o maior desafio dos técnicos de futebol não é entender de tática, mas sim em administrar o estrelismo de seus comandados. A começar por si próprio. A linha entre o equilíbrio e o poder é muito tênue. Aliás, os dois têm que caminhar juntos, pois se impor a autoridade é importante, fazê-lo com equilíbrio é maior ainda. O episódio do conflito entre Dunga e a imprensa, é um exemplo prático do título desse artigo. A fogueira das vaidades costuma também dividir a empresa. Os líderes normalmente transformam seus departamentos em trincheiras, e criam um clima de competição destruidora interna. Os inimigos passam a ser os próprios colegas de trabalho, ao invés de ser os concorrentes externos. E o objetivo comum, dá lugar aos interesses próprios. Com isso, as empresas definham, sendo os conflitos internos e ocultos os maiores causadores de “quebra” de organizações. Por todos esses fatos, a maior qualidade de um gestor hoje é “entender de gente”, e não apenas de administração. A sensibilidade em fazer as pessoas comprarem os processos, passa a ser o maior predicado que um líder pode ter. A começar pelo dono. Perceba que tudo inicia pelo “topo”. Os treinamentos devem começar por cima. A conscientização deve começar pelos “poderosos”. E normalmente, o maior pecado que as organizações cometem é iniciar pela base, pois os “chefes” normalmente já entendem o que deve ser feito. Ledo engano. Quem tem o poder de influenciar são os líderes, e nesse momento a humildade é um fator importante. Que bom seria, se a palavra vaidade no dicionário organizacional pudesse ser extinto e trocado por humildade. O dia a dia seria muito mais fácil e descomplicado.
Data: 05/07/10
targo@targo.com.br
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