Dunga x Maradona
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Para encerrar o assunto Copa do mundo, cuja ressaca foi esquecida com o “caso Bruno” (sorte de Dunga), o artigo de hoje traça um comparativo comportamental entre os dois técnicos mais comentados do evento da África do Sul. Provavelmente você tem um profissional que se assemelha a um dos dois, na empresa em que trabalha. De positivo, os dois têm um passado de glórias, ou seja, foram campeões do mundo jogando pelo seu país, e ainda tiveram o privilégio de levantarem a taça como líderes de suas equipes. Negativamente também são semelhantes. Como técnicos não conseguiram ser campeões na última Copa. Mas, no quesito comportamental existe uma grande diferença entre os dois. Um é carismático e o outro é truculento. O “coach” argentino, apesar de não ser referência para os nossos jovens com suas atitudes pessoais passadas, conseguiu transmitir uma simpatia muito grande para todos os que acompanharam o torneio. A ponto de ser recebido por milhares de torcedores em seu país, que gritavam por sua permanência no comando da seleção argentina. O “nosso” Dunga foi recebido por uma centena de jornalistas, muito mais preocupados em ir a “desforra” pelo menosprezo na África. E ainda, acabou sendo demitido por email, em uma atitude também deselegante do seu chefe Ricardo Teixeira (outro que também tem atitudes muito parecidas, porém mais competente). Existe uma tese, de que os gestores costumam contratar pessoas muito semelhantes com o seu perfil. Dunga veio reafirmar essa teoria. A habilidade e a criação, pré-requisitos marcantes de nossos craques, foram substituídos por jogadores de marcação e violência. E as jogadas de “cinema” de jogadores que não foram convocados, fizeram falta ao nosso time. O futebol arte foi sucumbido pelo perfil do passado de nosso técnico. Se quiser saber, como a equipe se comporta, basta observar apenas o chefe. E nas empresas, acontece justamente isso. O estilo do líder normalmente é seguido pelos seus colaboradores. A forma agressiva e arrogante de Dunga contaminou a seleção. A falta de equilíbrio emocional foi um fator predominante para o nosso fracasso. Enquanto, o comandante da equipe conflitava com os repórteres da toda poderosa Rede Globo (no mínimo, um ato insano), os jogadores “brigavam” com seus adversários, a ponto de Kaká (sempre uma imagem de bom menino) ser expulso, e o pequeno Robinho transparecer em sua face toda a ira, gritando “cara a cara” com o seu oponente. Tal pai, tal filhos. De um lado, a truculência e o mal humor de Dunga. De outro, a alegria e a simpatia de Maradona, com piadas e declarações que davam uma pitada de tempero saudável no relacionamento com seus jogadores e torcedores. E para finalizar, na hora do fracasso da desclassificação, enquanto o “nosso” foi o primeiro a fugir para o vestiário cabisbaixo, o “hermano” encontrou forças para ir “um a um” junto a seus guerreiros, dar um abraço e um beijo ainda dentro do campo. Tirem suas conclusões.
Data: 19/07/10
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