Doutores da alegria
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Nesse último final de semana tive a feliz oportunidade de quebrar mais um paradigma em minha vida. Após assistir uma palestra do Sr. Wellington Nogueira, aprendi como o sorriso e as brincadeiras podem tornar a nossa vida e a dos enfermos mais interessantes e felizes. E o que é melhor, como esse formato pode impactar na reinvenção da forma de ensinar. Detalhe: Wellington Nogueira é um palhaço, criador de um grupo de “besteirólogos” – como costuma chamar essa profissão – que se intitulam Doutores da Alegria. Esse grupo que tem base em São Paulo, e já possuem ramificações em várias capitais brasileiras, tem por objetivo levar um pouco de sorriso e descontração aos ambientes de hospitais. Mas, nada de brincadeiras invasivas e chatas com as crianças. Todos são treinados na “Escola de palhaços”, e aprendem toda a psicologia e dinâmica de entender os pequenos enfermos. Da porta dos quartos, eles dão um sorriso para a criança. Se houver uma reação positiva do outro lado, eles entram, caso contrário eles tentam mais uma vez, senão avisam que voltam outro dia. Para acontecer a palhaçada tem que haver uma sinergia e empatia entre ambos. Mas, onde entra o ensino nessa história? Outro detalhe: A palestra foi realizada no CEL (Centro de Ensino Literatus), para todos os colaboradores e principalmente os professores. O objetivo foi mostrar como podemos prender a atenção dos alunos de uma forma criativa e lúdica. No passado, o foco das escolas era o ensino. Nos novos tempos, principalmente com a chegada geração Y, o aprendizado passa a ser o desafio. Antes se ensinava, e se o aluno compreendia ou não era um problema dele. Hoje, a meta é ter certeza que ele está entendendo. A geração Y (nascidos a partir de 1978) já nasce com a síndrome da baixa concentração, ou seja, possuem multiprocessadores – fazem várias coisas ao mesmo tempo – e possuem uma grande dificuldade de atenção. Podem estar na sala somente de corpo, e a alma e pensamento estar passeando por outros lugares mais interessantes. Una esse fato, a uma aula dada nos formatos convencionais, e teremos uma baixa absorção de aprendizado. As escolas e professores que conseguirem ver esse desafio de forma criativa, darão um grande salto rumo ao entendimento eficaz. Mas, para isso é necessário enxergar o mundo de outra forma (paradigma), para poder agir diferente (comportamento). Havendo essa seqüência teremos grandes resultados no mundo do ensino. E tudo isso, significa mudar! E como é difícil isso acontecer conosco, não? Em um mundo de mudanças constantes, o analfabeto do século 21, não é aquele que não sabe ler ou escrever, mas, aquele que não sabe aprender, desaprender, e aprender de novo. Segundo Wellington, os palhaços se fazem de bobos para envolver as pessoas, mas são extremamente inteligentes para entender a melhor forma. Os professores de cursinhos para vestibular, há tempos já conseguem praticar esse método, e através de piadas, músicas e representações fazem toda a diferença, e ficam em lembranças para o resto de nossas vidas.
Os palhaços são uma referência em colocar cor e humor em tudo. Nós, profissionais e educadores podemos aprender muito com isso. Para isso, basta quebrarmos nossos paradigmas. O desafio está lançado.
Data: 28/02/11
targo@targo.com.br
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