Concorrência
Autor Carlos Eduardo Oshiro
Siga no Twitter @carlososhiro
Os ventos não estão favoráveis para os que se acostumaram com a “zona de conforto” e com a facilidade em levar a vida no piloto automático. Nos últimos tempos, a quantidade de concorrentes aumentou assustadoramente, para felicidade dos consumidores e para desespero dos empresários. Essa movimentação acontece em todos os segmentos, mas em Manaus, por conta do crescimento acima da média, alguns fenômenos interessantes são bastante visíveis. Vamos aos fatos. O ramo de alimentação e entretenimento para o público AB é o que sofre maior impacto. Há uma década, os restaurantes eram sinônimos de mesas de plásticos na calçada e nenhuma infra-estrutura. Visitar a cozinha nem pensar. E os lugares de divertimentos se resumiam a grandes galpões, onde os manauaras se acotovelavam para ver shows de pagode e boi. Os ventos mudaram a direção, e esse tipo de comércio praticamente desapareceu, dando lugar a bons restaurantes decorados e com certo requinte, e à boites que no passado se resumia ao hoje reinaugurado Tropical Clube. O público está mais exigente tanto na qualidade quanto no preço. A chegada de novas franquias de alimentação deu uma “turbinada” no segmento, onde quem não se atentar para os custos e para o bom atendimento, acaba não abrindo as portas no outro dia. As opções são muitas, e o público dessa classe AB não aumentou na mesma proporção. Com isso, restaurantes tradicionais fecharam, e o costume do povo mudou. Ficou mais exigente. A quantidade de faculdades também cresceu, mas nem por isso, a qualidade da mão de obra melhorou. Manaus sofre de um déficit em todos os segmentos, o que é um prato cheio para os “forasteiros” que chegam acompanhados da “fome com a facilidade em comer”. E com isso, a concorrência se acirra também no campo profissional. Os nativos sentem que começam a perder espaço. Tudo isso motivam os competitivos, e amedrontam os que se acostumaram com a “vida tranqüila e fácil”. É o preço do progresso. Com a falta de profissionais preparados para suprir toda essa demanda, os com talentos ganharão mais, e os que não tiverem formação e perfil, ficarão fora do mercado. A concorrência traz o progresso, mas tira do mercado quem não estiver preparado. Regra que vale tanto para empresários como para empregados. Com a chegada da Azul, podemos viajar de avião com valores bem abaixo de quando existiam apenas 2 companhias aéreas. As lojas de esportes também “explodiram”. É só dar uma volta em um novo shopping da cidade, que você vê a quantidade de opções de artigos esportivos ou apenas especializada em tênis. Temos público para tudo isso? E por citar shoppings, mais um gigante está chegando. Trata-se de um destinado para o público AAA (triple A), e do mesmo grupo proprietário do Shopping Cidade Jardim em São Paulo. Enfim, da mesma forma que alguns segmentos saturam, outros se criam. Muitos começam a migrar e visualizar a classe emergente BC. E esse público, Manaus tem bastante. Que a zona leste possa esperar, pois os empresários de visão estão com um olho lá. A economia se renova, e as oportunidades também. E mais uma vez, somente os melhores sobreviverão.
Data: 10/05/10
targo@targo.com.br
Compartilhar
|