Pizzaiolo.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Um pouco atrasado, mas ainda em tempo, venho hoje defender uma classe que literalmente coloca a mão na massa: o pizzaiolo. A infeliz frase proferida pelo presidente Lula, ofendeu um segmento que infelizmente está sempre ligada injustamente aos “atos secretos” praticados, quase que diariamente por uma classe com credibilidade questionável.
Ao tentar atingir os senadores, ele “atirou” diretamente à uma classe de profissionais, e indiretamente à empresários que realmente criam empregos à “luz do dia”.
Ao se referir a CPI da Petrobrás, Lula “elogiou” os senadores os chamando de pizzaiolos. Elogio, porque se trata de uma classe trabalhadora, que ficam praticamente todo o seu serviço à frente de uma “boca quente”, forneando milhões de pizzas pelo Brasil, para criar momentos de prazer gastronômico nos salões e casas dos brasileiros. Essa digna profissão mistura momentos de carinho, magia e suor. Muito suor! Carinho ao fazer a massa, porque o bom pizzaiolo “conversa” com o seu produto no momento da preparação. Sabe como ninguém quanto tempo deve “descansar” para que atinja o tamanho ideal. Se a temperatura estiver seca ou chuvosa, os minutos de preparo diferem de quando o tempo está quente ou frio. Magia, pelo fato de rodopiar como ninguém a “redonda” no ar ao abrir a massa; que chegará quentinha e crocante a mesa de seus clientes. E suor, porque ficar próximo a um forno com temperatura aproximada de 350 graus todos os dias, não é para qualquer trabalhador. Bem diferente de outras profissões, que apenas utilizam canetas em ambiente cercados de luxo e ar condicionado.
Mesmo que tímido (semelhante ao jeito do trabalhador brasileiro), alguns locais tiveram manifestações da classe. Na capital da pizza, onde todos os dias um milhão de “redondas” são servidas à mesa do paulistano, o sindicato que representa a categoria distribuiu um panfleto contestando Lula. Estava escrito no manifesto: “Presidente Lula, somos qualquer coisa, menos senadores”. José Vicente Garcia, um pernambucano de 54 anos, atacou: “Contribuo há 31 anos para a previdência, e vou ter que trabalhar mais cinco anos para me aposentar, graças a uma lei aprovada pelo senado”.
Não se sabe ao certo de onde vem a expressão “tudo acaba em pizza”. Mas, segundo o site Guia dos curiosos, a frase nasceu nos anos 50 em São Paulo. Após uma grande briga, dirigentes do Palmeiras se reuniram em uma pizzaria para fazer as pazes comendo uma pizza.
Lula atingiu os senadores com a declaração, que cobraram retratação através de seu presidente da classe – José Sarney – que dias depois foi acusado de comandar atos secretos. Lula defendeu Sarney. A política tem suas histórias que somente eles entendem. Nós, meros mortais com suas responsabilidades fiscais e civis, entre eles os pizzaiolos, temos que conviver e “dormir com um barulho desses”. Mais uma vez, como sempre, a corda arrebentou para o lado mais fraco. Nesse caso, o pizzaiolo, ou seja, o trabalhador brasileiro.
Data: 03/08/09
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