Nosso pobre rico futebol.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Não importa se o segmento é de entretenimento, esportivo ou público; se a gestão não for boa, os talentos sairão e a empresa não terá sucesso.
O país que é pentacampeão do mundo de futebol e sede da copa em 2014, tem um futebol falido e mal administrado. A grande maioria dos clubes operam no vermelho e com salários atrasados, quando não muito, precisam ser comandados por organizações terceirizadas para que possam ter sucesso. O Corinthians em um passado não muito distante, literalmente vendeu a “alma ao diabo”, ou seja, fez parceria com uma empresa onde era duvidoso a origem dos investimentos. Foi ao fundo do poço, foi rebaixado, seus antigos diretores são investigados, e deu a volta por cima com a “era Ronaldo”.
A bola da vez é o Vasco da Gama. Após anos de má gestão do seu antigo presidente, o time cruzmaltino paga o preço, e tem que provar que às vezes é necessário ir ao fundo, para poder renovar e se reinventar.
Assim como na gestão privada, nos times de futebol é necessário ter credibilidade para atrair investimentos. Que o diga o Flamengo, que atualmente joga com o uniforme sem patrocínios, pois com as pendências na justiça, a Petrobrás não conseguia mais lhe repassar os valores.
Com a escolha de Manaus para uma das sedes da copa, a pergunta que não quer calar: “Após o evento, teremos um elefante branco em nossa cidade?” O desafio das autoridades, ou melhor, de todos nós, envolvendo empresários e população, é conseguir que um time amazonense volte a elite do futebol brasileiro. Somente assim, o futebol em nossa terra terá sustentabilidade.
Só para ilustrar o sucesso do futebol na Espanha, é praticamente impossível se conseguir um ingresso para um jogo de Barcelona X Real Madrid para os próximos três anos. Não é a toa que as contratações milionárias ocorridas recentemente vêm de terras espanholas.
Que saudades sinto da minha época de adolescente, onde acompanhava entusiasmado e preenchia as tabelas de jogos a cada rodada do brasileiro. Foi inesquecível ver o meu Operário ser 3º colocado do Brasileiro de 1977. Assim como no Mato Grosso do Sul, atualmente o futebol do Amazonas também está falido. A torcida tenta buscar uma esperança comparecendo ao estádio, mas sem investimentos e profissionalismo dos gestores não há milagres.
Quem curte futebol, entende muito bem como era gostoso comentar o jogo do dia anterior nas esquinas e nos botecos da cidade.
Em outras proporções, torcedores de times grandes de outras capitais têm que se acostumar com nomes desconhecidos atuando em seus times, e parece ironia, mas para despistar um pouco, passaram a usar uniformes com números estranhos. 49, 67, 35 estão substituindo as camisas 10, 9, 7... Seria o peso de usar aquelas em que Zico, Roberto Dinamite e Garrincha já vestiram?
Data: 22/06/09
targo@targo.com.br
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