Desconecte-se.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Há tempos atrás, nesse mesmo espaço eu escrevia sobre a importância das pessoas se conectarem e se adaptarem ao mundo moderno. Hoje, vejo que o bom senso e o equilíbrio são ações chaves para um dia a dia melhor. Voltemos ao passado. Há menos de duas décadas, a portabilidade e a comunicação entre pessoas se resumiam ao famoso “beep”, um aparelhinho que recebia mensagens através de uma central, para onde ligávamos para ditar o recado. Apenas médicos ou pessoas essencialmente importantes, tinham acesso a essa tecnologia em seu início. Vivíamos em paz, tínhamos privacidade e éramos felizes. Depois vieram os celulares em formato de “tijolo”, a internet, os emails, os msn’s, os netbooks, e por ai vai. Eis que a bola da vez, é o twitter. Ao responder a frase: “O que você está fazendo?”, viciam as pessoas a ficarem enviando aos seus seguidores, o que está acontecendo nesse momento em suas vidas, utilizando no máximo 140 caracteres.
Os que não conseguem se desgrudar da conectividade, deixam de lado os prazeres da vida, para dar preferência a pessoas que estão em lugares que você nem imagina onde seja. Alguns fatos de falta de respeito a que nos sujeitamos ao lado desses “loucos”: As pessoas ao lado são menos importantes dos que estão à distância. Seja em celular ou em um netbook à beira de uma mesa de bar, os dedos viciados sempre estão em cima de um teclado. Nas salas de aulas de faculdade, ou nas reuniões de empresas, lá está o notebook ligado, e os “loucos” conectados. Desrespeito com professores e gestores, e a concentração e o aprendizado se perdendo. A produtividade é outro fator comprometido no trabalho, pois os “viciados” misturam o pessoal com o profissional, e as páginas de relacionamentos e comunicadores passam a ser suas prioridades. Não duvido muito que, assim como existem os grupos de A.A(alcoólicos anônimos), teremos também os “C.A” (conectados anônimos), ou seja, aqueles que não conseguem se desligar um minuto dos emails e atualizações, seja via celular ou computador. Sinal dos tempos, aliados às doenças do mundo moderno.
E as crianças iniciam cedo a caminhada para esse vício do século 21. Os mini games, ou seja, DS ou PSP (estou falando “grego”?), em qualquer lugar público estão nas mãos de nossos filhos. As brincadeiras de rua de nossas épocas foram substituídas pela tecnologia. Infelizmente, o esporte também foi deixado em segundo plano.
Apesar de tudo existe o lado positivo, (ou negativo)? O seu escritório passa a ser móvel. Em minhas últimas férias, de frente para o mar, em 40 minutos de conexão realizei negócios via net. Respondi emails, falei com os meus colaboradores pelo skype, e ainda atendi alguns clientes. Até eu me incluo talvez nessa nova mania.
As páginas de um bom livro, assistir a um bom filme em uma tela de cinema, sujar as mãos de tinta em um jornal ou correr atrás de uma bola com seu filho, são ações que podem continuar a fazer parte de nossas vidas. Desacelere a mente, alimente o seu coração e seus relacionamentos, conviva mais com as pessoas que estão ao seu lado. Lembre-se que existe vida fora da “rede”.
Data: 31/08/09
targo@targo.com.br
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