Brawn.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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E como não poderia deixar de ser diferente, o mundo continua mudando. Novos profissionais surgem, novas organizações aparecem como em um passe de mágica, assumem lideranças e quebram paradigmas que se sustentavam há décadas. E o “case” da equipe de fórmula 1 – Brawn – cai como uma “luva” para ilustrar o aparecimento de novos conceitos de percepção e administração, e é claro, uma pitadinha de sorte. A equipe já iniciou a sua 1º temporada sendo a escuderia com mais vitórias no ano de estréia, desde que a fórmula 1 surgiu em 1950.
Como sempre, existe um grande líder por trás de todo caso de sucesso, e ele, se chama Ross Brawn. Com experiências de ter passado por Williams, Benetton, Ferrari e Honda, em dezembro do ano passado Ross adquiriu o espólio da finada equipe japonesa. O novo “boss” da F1, se pautou em duas variáveis para obter o sucesso: política de mordomia zero e um pouco de sorte nas sacadas estratégicas.
No milionário mundo do automobilismo, a Brawn GP tem quase que a metade da estrutura das grandes equipes, quando não, 20% em alguns casos:
- 550 funcionários no total, contra mil da Mclaren.
- 1 profissional para o atendimento à mídia. As grandes equipes normalmente possuem de 6 a 8 pessoas.
- U$ 130 milhões de orçamento. Metade dos gastos da Ferrari e Mclaren.
- 1 cardápio único de almoço. Para efeitos de comparação, a Red Bull tem um vasto bufê criado por renomados chefs europeus.
- Hotéis 3 estrelas e viagens econômicas.
Já as sacadas estratégicas que fazem a diferença, começam pelo famoso difusor traseiro e vai até o trabalho em equipe difundido pelo seu líder.
O “difusor” para os leigos, é um recurso que permite maior passagem de ar pelo assoalho do carro, melhorando sua performance aerodinâmica. Na linguagem popular, “gruda” o carro no asfalto e deixa o mais veloz. O motor Mercedez Benz é uma forte aliada, pois é considerada a melhor no momento. Mas, ela também serve a McLaren, que no conjunto de ajustes perde para a Brawn. Como a sorte costuma acompanhar os campeões, a proibição dos testes entre os GPs, beneficia a equipe que começa na frente, pois a falta da “pista intermediária” dificulta a melhoria dos rivais. E a possibilidade da Brawn se tornar campeã no ano de sua estréia, é imensa. Finalmente, o papel de liderança de Ross foi decisivo. Ele conseguiu unir uma equipe de 550 ex-funcionários da Honda, que o viram como o salvador de seus empregos, e se comprometeram em dobro para que a Brawn entre para a história da F1.
E em época de mudanças e turbulência, as grandes equipes começam a se mexer para criar um novo campeonato paralelo para o ano que vem. É sempre assim, quando os antigos líderes e potências se vêem ameaçados.
E Rubinho, faz parte da equipe. Infelizmente como número 2 ainda. A Brawn se destaca em meio a um mundo extremamente competitivo. Mas, milagre ela ainda não consegue fazer, ou seja, criar talento para quem não tem.
Data: 21/07/09
targo@targo.com.br
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