Tudo azul em 2009.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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A livre concorrência é um dos balizadores da economia, e serve para que os consumidores possam pagar um preço justo, aliado a uma opção de escolhas que envolvem demais variáveis, tais como prestação de serviços, logística, entre outras. A lei é simples. Quanto mais competidores, melhores são as condições para os clientes.
O mercado de automóveis novos pode ser um grande exemplo a ser dado. Mesmo com a alta do dólar, as montadoras têm mantidos os preços dos importados, e quando não, até baixado os valores a patamares inimagináveis em um passado não muito distante. Do segmento das TV’s de LCD vem o outro exemplo. A cada novo lançamento, a queda de preço acompanha a novidade. E essa comparação vale para computadores, laptops, eletro-eletrônicos, enfim, tudo na qual existem dezenas de competidores.
Infelizmente, a regra não vale para alguns mercados, cuja quantidade de concorrentes é pequena, ou melhor, foram ficando monopolizadas.
O mercado de cervejas é um modelo de quase monopólio. A antiga guerra de duas gigantes do passado não existe mais. Brahma e Antarctica agora são “irmãs”, e cada uma conseguiu se encaixar em um mercado criado pelos seus donos. E pelo que parece, a tendência é mundial. Menos concorrentes, maiores os preços, e conseqüentemente maiores os lucros.
Em abril teremos a abertura de um grande shopping em Manaus. Ela vem em um momento em que os lojistas, já não agüentavam mais a arrogância de antigos gestores que passaram até então, pelo único centro de compras de grande porte da cidade. Mais uma opção, novas formas de negociação e humildade acima de tudo. Ganha o cliente.
Há muito tempo não conseguimos mais comprar passagens aéreas ao preço simbólico de 1 real. 90% do mercado nacional estão nas mãos de apenas 2 companhias aéreas. Uma esperança surge com a “tentativa” de entrada da Azul. Buscando seguir os moldes da Jet Blue americana, David Neeleman iniciou as suas operações no último dia 15 de dezembro.
Será literalmente uma luta entre “Davi e Golias”, onde o final poderá não ser a mesma do conto que na qual já conhecemos. Como consumidores, esperamos que pelo menos, os “Golias” percam um pouco do poder.
A luta na realidade, iniciou bem antes das operações. Neeleman enfrentou possíveis lobbies nos bastidores, e teve praticamente as portas fechadas de aeroportos de grandes capitais. Teve que montar base em Campinas. Com tráfego bastante respeitado entre os grandes investidores, ele tem o desafio de provar que seu formato de gestão é vencedor, e dar a volta por cima daqueles que o tiraram em 2007 da presidência da Jet Blue americana.
Esperamos que para o novo ano, a crise mundial não traga novas fusões ou aquisições, fato que já estava se tornando corriqueiro na economia global. Sonhar não custa nada. E que cada vez mais, novas empresas surjam, para a alegria de nossos bolsos.
Torcemos para que a nova companhia aérea consiga no mínimo, incomodar o monopólio das duas gigantes do setor. Pois, segundo um famoso local, “Cada vez que as passagens aéreas sobem, o Amazonas fica mais distante do restante do país”. Que o ano de 2009 seja Azul para você. No duplo sentido.
Data: 30/12/08
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