Ouvir ou não ouvir.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Em tempos bicudos, é interessante como uma série de fatores potencializam as más notícias e o pessimismo. Descendo como uma bola de neve, em questão de minutos os fatos invadem os meios de comunicação e conforme a relevância das notícias, se estendem por um grande período de tempo “martelando” nossas cabeças. Com a economia cada vez mais globalizada, pode se até criar uma analogia sobre o “efeito borboleta” defendido por Edward Lorenz em 1963, onde – segundo sua teoria – “o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas, e assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo”. Assim tem acontecido com a crise mundial. Um efeito dominó tem trazido uma espécie de caos nas principais potências mundiais; e, empresas e países têm convivido com vários turbilhões rondando seus negócios. E para completar, “tome” matérias terroristas apresentadas pelos meios de comunicação. São notícias de demissões em massa, de “dekasseguis” (brasileiros operários no Japão) morando embaixo de pontes, de quebradeiras de grandes empresas, e de pedidos de ajuda a governantes. Esse é o papel das TVs, jornais e revistas. O problema está nas pessoas que captam essas informações. Para uns geram pânico. Para outros, senso de oportunidades. Alguns profissionais paralisam. Algumas empresas se tornam ágeis. Como pode ser ver, o sentimento de medo ou atitude vale para pessoas e corporações. Para poder sobreviver a tudo isso, procuro analisar o que é ou não administrável. Crises, chegadas de novos concorrentes e tragédias da natureza são fatos que não conseguimos controlar. São fatores externos e incontroláveis. Podemos no máximo prever, mas dificilmente administrar. Em contrapartida, nossas atitudes, nossas visões e ações dependem apenas de nós. Esses fatos são administráveis e controláveis. O que diferenciam os corajosos dos medrosos, é que os primeiros se focam naquilo que se pode realizar, enquanto os outros, paralisam pelas notícias e situações na qual não podemos evitar. É na crise que surgem grandes líderes e grandes corporações. Em tempos difíceis que aparecem grandes “sacadas”. E as grandes idéias vêm das pessoas. E nesse momento, sobreviverão apenas empresas que tiverem líderes preparados e brilhantes. O único investimento que não pode faltar em épocas ruins, são os treinamentos e a preparação dos colaboradores, pois as grandes viradas serão realizadas por elas. Infelizmente, na maioria das organizações, pessoas e treinamentos entram na planilha de custos. E aquilo que pode ajudar a salvar a operação, é um dos primeiros itens a serem cortados.
Administrar a mente tem sido o principal desafio de empregados que estão em segmentos altamente afetados pela crise. O foco tem que continuar no trabalho e na criatividade, pois senão corremos o risco de “morrer de véspera”. Com fatos negativos chegando até nós a toda hora, as perguntas que merecem uma resposta: Ver ou não ver, ler ou não ler, ouvir ou não ouvir? Eis a questão!
Data: 09/03/09
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