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Vale a pena ler! (Coluna Coaching)
Publicado todos os domingos no Jornal A Crítica |
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O Paradoxo.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Com a velocidade das mudanças em que vivemos, e com a necessidade de nos adaptarmos a tudo isso, às vezes, nos vemos em volta de um paradoxismo que nos deixa muito confuso. Nosso corpo nos leva à uma direção, enquanto nossa mente ainda está processando esse movimento, ou vice-versa. E essa diferença entre ação e pensamento nos leva ao paradoxo. Segundo a wikipédia (na minha época era dicionário Aurélio), paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em palavras fáceis, “é o oposto do que alguém pensa ser a verdade”.
Segundo o Dr. Bob Moorehead, um pastor de igreja na cidade de Seattle nos EUA, “hoje temos auto-estradas mais largas, porém pontos de vista mais estreitos, gastamos mais, porém temos menos; compramos mais, no entanto, desfrutamos menos.” Vivemos em um mundo cada vez mais antagônico, onde as contradições se confundem, e o que é errado pensamos ser certo. Reclamamos da ética dos políticos, mas ao mesmo tempo compramos DVD’s piratas nas mesas dos bares. Cada vez mais queremos enriquecer, mas, procuramos trabalhar menos. Queremos que as pessoas mudem, mas nós continuamos a achar que a melhor forma de ser e agir é a nossa. Temos mais opções de alimentos sadios, enquanto no mundo, cada vez menos as pessoas tem acesso, sequer a qualquer tipo de comida. Buscamos cada vez mais um diploma, em contrapartida utilizamos menos o nosso conhecimento e sabedoria. As empresas planejam muito, mas executam pouco, ou seja, muito discurso e pouca ação. O nosso clima e natureza estão menos estáveis, e nossa consciência apenas mais pesada com tudo isso. Vivemos constantemente o paradoxo. A linha que separa o certo do errado é muito tênue. O “céu e o inferno” são mais próximos do que pensamos ser. Ás vezes adormecemos em um, e amanhecemos em outro. O paradoxismo nos leva a pedir menos desemprego, mas cada vez mais criamos ou inventamos leis que impedem as empresas a contratarem mais. Queremos produtividade, mas criamos mais feriados. E se for prolongado com o fim de semana, melhor. Rogamos por emprego, mas não queremos trabalho. Pedimos paz mundial, e nossa família vive em guerra. Buscamos constantemente o material, e esquecemos do espiritual. Em tempos de crise, medo e mudanças na economia mundial, esperamos que alguns paradoxos possam cair e estimular a reflexão. Que o poder maior não traga a tolerância menor. Que a frase de Nelson Mandela em 1994, possa guiar o novo presidente dos EUA: “Nosso maior medo não é o de sermos inadequados. Nosso maior medo é do sermos poderosos além da medida.” Que não haja paradoxo nem antagonismo. E sim bom senso aliado a humildade e tolerância. Assim, a maior potência mundial poderá ser “mais com menos”. E o mundo também. Se é que você me entende.
Data: 01/02/09
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