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Empregos de menos, informalidade demais.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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O Brasil é um país das grandes oportunidades, das grandes idéias, do famoso “jeitinho” e infelizmente também do estímulo a não produtividade. Por aqui, a lei procura proteger e estimular as pessoas a trabalharem menos e a criarem brechas na legislação, para poder ganhar vantagens para si próprio. E isso acaba levando as organizações a contratar menos, e os pequenos empresários cada vez mais a operar na informalidade.

O seguro desemprego é um exemplo da indústria que nasceu, em função de um benefício que foi criado para ajudar o empregado. Infelizmente acabou se transformando em um motivo para ganhar sem produzir. Atualmente existe a classe dos funcionários de seis meses. Após conseguir uma colocação, ele força a demissão após 180 dias de casa, para ficar um período vivendo a custa do governo e dos nossos impostos. Afinal, a “lei de Gérson” faz parte da cartilha desse profissional. E, caso ele consiga algo durante esse período, a oportunidade somente é aceita se o empregador não assinar a carteira de trabalho, durante o período do resgate do tal seguro. Afinal, ganhar sem produzir é o lema dos que gostam de levar vantagem.

Outra lei criada recentemente é a da diminuição da carga horária dos estagiários. Quem quer entrar no mercado de trabalho, deve estar ciente de que um dos requisitos básicos para o crescimento, é sem dúvida “suar a camisa”. E o projeto do governo, mais uma vez estimula a vida tranqüila e sem produtividade. E o mercado não é assim. Lembro-me dos meus tempos de faculdade, na qual passava o dia inteiro trabalhando, e depois de jantar de bandejão nos famosos restaurantes universitários (RU), pegava mais 4 horas de aulas no período noturno. E final de semana era sinal de esgotamento físico e mental. Mas era compensador esse sentimento de superação. Foram cinco anos vivendo essa jornada. Mas foi ótimo para aprender que, na vida tudo se consegue através de muito esforço e suor.

No Brasil, parece que existe uma cultura de ganhar sem trabalhar. E infelizmente, nossos políticos querem transferir o seu estilo de gestão para o restante da população. Tramita alguns projetos de lei no Congresso, que no mínimo podem ser considerados absurdos. Entre eles a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, o que acarretará aumento de 10% nos custos das empresas. O outro, de autoria do deputado Arlindo Chinaglia, prevê conceder estabilidade de um ano no emprego a maridos de mulheres grávidas. O impacto dessas medidas nas organizações, é de uma maior dificuldade de gestão nas empresas e mais aumento de custos. As leis novamente querem estimular a estabilidade, e não a competitividade e empregabilidade pela competência. Em tempos que patrões e empregados tentam achar maneiras de atravessar a crise com o mínimo de perdas, nossos governantes querem complicar buscando formas de se aumentar o custo do trabalho. Ao contrário das legislações avançadas de Estados Unidos, Japão e Reino Unido, parece que ainda vivemos a retórica de sempre querer dar o peixe, ao invés de ensinar a pescar. Uma atitude que reduz a competitividade do país, e estimula a “zona de conforto” das pessoas.


Data: 26/01/09
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