E o raio quebrou.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Lembro-me há 13 anos atrás quando cheguei em Manaus, que haviam algumas peculiaridades mercadológicas que raramente existiam em outras cidades. Sinônimo de cerveja era Antarctica (na época com mais de 70% de participação), e calça jeans era Zoomp. A cerveja do pingüim (naquela época não era Ambev) perdeu mercado, e a Skol atualmente é a grande líder. O feito da marca Zoomp era ainda mais surpreendente, pois posicionado para a classe A, ela conseguia atingir todos segmentos sociais. O “raio” estava presente em quase todos os “bumbuns” da população de Manaus. Um grande “case” de marketing. A Ambev reposicionou a sua cerveja e ela ainda sobrevive no mercado, mas a marca de Renato Kherlakian literalmente quebrou. Com dívidas que beiram a casa dos 300 milhões, o empresário da Zoomp tentou vender a marca para uma investidora internacional, mas a mesma não conseguiu honrar os seus compromissos, decretando quase que a sua “morte”. Tempos de mudanças, aliada a grande crise mundial na qual passamos, irão fazer com que grandes marcas sumam do mapa, e que profissionais contratados a “peso de ouro” também. A tendência é que em cada segmento fiquem poucas empresas, uns comprando outras, algumas se unindo, e o restante sumindo. Assim acontecerá também com o mercado profissional. Irão se diminuir as ofertas para executivos, os salários milionários cairão e novamente só os melhores sobreviverão.
Grandes marcas trabalham com agregados de valor, enquanto profissionais competentes trabalham com gestão. Quando o casamento não acontece, provavelmente um sai do mercado.
Uma marca com altíssimo valor mundial, enfrenta em seus bastidores um problema de “prestação de serviços” aos seus clientes. Se você possui uma caneta Mont Blanc, e necessita de alguma assistência técnica, tente fazê-lo. No mínimo o prazo é de 30 dias, isso se você estiver em São Paulo. Ou então, você dá um jeito de ir à um único escritório na capital paulista, e ser atendido desconfortavelmente na sala de espera. Péssima percepção de valor para os clientes. Bem diferente dos anúncios de revistas e das luxuosas lojas mundo afora. O consumidor que se dispôs a pagar uma caneta na casa dos milhares, merece um atendimento melhor. No mínimo uma atenção digna de uma concessionária de carros importados. Até porque, a “jóia” que escreve, para quebrar basta cair. Uma falha de gestão, que pode no futuro comprometer a percepção de valor da marca. Outras grandes marcas se foram ao longo do tempo. Somente para recordar alguns: Pakalolo, Samello, Estrela e outras mais que não conseguiram se reinventar no competitivo mercado. Sem citar marcas e empresas locais.
Passamos por um momento histórico. Com o estouro da “bolha” econômica, as empresas sadias sobreviverão, e as “podres” irão sucumbir no mundo dos negócios. E juntos irão centenas de executivos que eram pagos como verdadeiros astros. Muitos estarão disponíveis no mercado. É hora de poderem mostrar os seus verdadeiros potenciais, e tentarem a carreira solo. Se puderam ganhar dinheiro para os seus patrões, podem faturar agora diretamente para os seus bolsos. Essa é a hora da verdade. Eis a grande diferença entre ser empreendedor e empregado.
Data: 24/11/08 targo@targo.com.br |