E o ensino...
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Todos os anos, ou melhor, todos os meses, milhares de novos profissionais são literalmente “jogados” no mercado pelas instituições de ensino. Diploma em punho, muitos iniciam a peregrinação por dias melhores. Os que já estão “colocados” sonham com uma promoção, e os desempregados imaginam que a chave do sucesso está agora em suas mãos. Ledo engano, pois infelizmente ter o “canudo” hoje não representa mais estar com a carreira assegurada.
Sou do tempo em que as universidades federais eram sinônimos de concorrência acirrada, status, bom ensino e gratuidade. A realidade do ensino público hoje é o inverso. Sou do tempo em que os vestibulares eram feitos somente nos meses de dezembro e janeiro, e em alguns casos se realizavam também no meio do ano. Sou da época em que passar para medicina, era um fato que gerava orgulho para os pais e certeza de um futuro promissor, além de ser considerado um “partidão” para se casar. No passado era assim, e nos dias atuais a realidade infelizmente é outra. Pra pior.
Em países de primeiro mundo, o maior investimento dos governantes sempre foi na qualidade do ensino. Através da educação, criamos um povo opinante e que consegue transformar conhecimentos em atitudes. Mas será que nossos governantes querem um “povo inteligente” ?
Os professores dificilmente conseguem focar no objetivo de ensinar, e na maioria das vezes, a profissão de educar passa a ser um sub-emprego para se complementar a renda. Diante dessa situação, não se tem tempo para preparar aulas, cobrar resultados, e mensurar o aprendizado.
A realidade é que infelizmente o ensino e as faculdades se banalizaram. Vestibulares a qualquer mês, onde o pré-requisito é financeiro. Alunos tão somente atrás do diploma, se esquecendo do conhecimento. E o resultado, são os departamentos de recrutamento e seleção sofrendo com tanta gente despreparada no mercado. Contadores que não sabem sequer avaliar um balancete, engenheiros que não conseguem fazer um cálculo correto, advogados que ficam nos exames da OAB, e por ai vão as inúmeras atrocidades que temos que conviver no dia-a-dia do mundo corporativo.
Aliados a incompetência de alguns profissionais, na outra ponta do ciclo estão as faculdades muito mais preocupadas com o “caixa”, do que efetivamente com a qualidade do ensino. Grupos de alunos chegam ao cúmulo de vetar professores exigentes e comprometidos com o trabalho. E o resultado se resume na frase: “Vocês fingem que aprendem, nós fingimos que ensinamos, e todos seremos felizes”. Esse é o retrato do ensino no Brasil. É claro que toda regra tem suas exceções. Existem também ótimas escolas gerando futuros formadores de opinião, e bons profissionais que irão fazer o diferencial. Enquanto tudo isso acontece, ainda temos que conviver com “pérolas”, como a do menino que perguntou ao professor em sala: “ O Senhor não trabalha? Somente dá aulas ?” Essa é a imagem do nosso educador. Durma-se com um barulho desses.
Data: 05/08/08
targo@targo.com.br
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