Alma penada.
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Em épocas de crise e demissões costuma-se aumentar o número de “almas penadas” rondando as empresas. Entende-se por “alma penada”, trabalhadores demitidos ou aposentados, que apesar de não mais fazerem parte da organização continuam circulando pelos aposentos da antiga “casa”. Normalmente são ex-colaboradores que passaram grande parte de suas vidas dedicadas à empresa, e que não conseguem se desligar nem de corpo, nem de alma dos colegas, e do espaço que durante muito tempo lhe pertenceu. O sentimento de posse faz parte do ser humano, só que mal administrada causa profundos problemas de depressão e nostalgia. Apesar de não fazer mais parte do quadro funcional, os colegas internos continuam a lhe passar todas as notícias e eventos que acontecem, e quando não, as ligações telefônicas são quase que diárias. E mesmo de fora, ele ainda continua a viver o dia-a-dia do antigo emprego, só que sem o salário. E infelizmente continua a opinar; e na maioria das vezes, a criticar os antigos desafetos. Esses fatos somente servem para aumentar o sofrimento, e o impedem de seguir uma nova fase de sua vida. A aposentadoria é menos dolorosa que a demissão. No primeiro caso, a pessoa sai com as portas abertas e com o sentimento de missão cumprida. Mas, as idas a antiga empresa é mais freqüente, o que ocasiona sempre uma sensação de perda, e a memória continuará a ser alimentada. Ver uma outra pessoa ocupar a cadeira que foi dele durante anos, é quase que um corte profundo em seus pulsos. Já nos casos de demissão, a gratidão do sentimento dos aposentados, dá o lugar a uma espécie de raiva e ódio, e que mal administrado também é excessivamente prejudicial. O maior desafio desse outro grupo de “excluídos”, é evitar falar mal e tecer críticas a antiga casa. E isso vale também para a organização que lhe deu o “cartão vermelho”. Todos têm o direito de seguir o seu caminho, sem que fique se “atirando pedras”.
Existe vida lá fora! Esse deve ser o pensamento dos que passam por isso. Tente visualizar novas oportunidades, e evite a priori, contatos freqüentes com antigos colegas, e para o seu bem, sinalize que não quer receber notícias da “rádio peão”. Profissionais que sempre utilizaram o nome da empresa como “carteirada”, também sofrem mais que os demais. Por isso a importância do ótimo relacionamento com o mercado, e não dar chance para que o poder do cargo possa causar estragos no futuro. A importância do relacionamento social e do comportamento de humildade quando se está por cima, ajudam
em muito para que os “excluídos” possam se adaptar a nova fase da vida.
Uma dica é de que, o passado ninguém consegue mudar. Apenas o futuro consegue-se planejar. Olhe para frente, veja novos horizontes e perspectivas e do que você viveu lembre-se somente das boas experiências, e das más tenha apenas como lição.
Para todos os casos, e para qualquer tipo de perda, o tempo passa a ser o melhor remédio. Em nossas vidas sempre existe uma luz no fim do túnel. Basta querer enxergar.
Data: 20/11/08
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