Apagão de Talentos
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Cada vez mais, a falta de pessoas preparadas ou com dons naturais de inteligência e comportamento, impactam no crescimento das empresas e no aumento de stress dos gestores. Os talentosos natos são cada vez mais raros, e infelizmente até o nível básico de cultura passa por escassez. Os departamentos administrativos são um dos que sofrem com esse apagão. Em processos de seleção, os candidatos não conseguem passar por simples testes de matemática, que incluem apenas operações de somar e dividir, quando muito uma “regra de três”. Se aplicarmos uma redação, o assassinato da gramática é notório. Os cargos técnicos são os que passam por maior dificuldades. Não me canso de ouvir reclamações das empresas em relação ao segmento de contabilidade. Não importa o porte da organização, mas a demora na entrega de relatórios e balancetes, talvez seja um dos pontos de discórdia entre administradores e contadores. Empresas de tecnologia fazem parte também do rol dos segmentos que sofrem com essa deficiência. E infelizmente ninguém é completo. Em muitas profissões, o que sobra em inteligência, falta em atitude. E vice versa. Profissionais de T.I são ótimos operadores, mas quando são promovidos a líderes, avançam somente na hierarquia, pois a mente ainda fica no passivo. Enfim, o desafio para cargos técnicos é pensar estratégico. São raras as exceções. Um dos grandes motivos do apagão é a falta de interesse e compromisso por buscar conhecimentos por conta própria. Muitos ficam dependentes da organização em que trabalha, mas investimentos próprios em busca de informações são raros. A construção civil é outro segmento que com aumento da demanda, passa por escassez de profissionais. Nesse caso não vamos nem falar em “craques”, mas a dificuldade é por simples falta de mão-de-obra básica. Os pedreiros vão aprendendo na prática, e os resultados são aumento de custos, e problemas estruturais no futuro. Mas, afinal o que é talento? São profissionais que se diferenciam dos outros sobre 3 aspectos: Comportamental, técnico e cultural. Quando esses três itens afloram, a pessoa literalmente decola, ou seja, se torna mais perspicaz e sagaz. Entrega muito mais o que lhe é pedido. Enfim, surpreende!
Muitas organizações tem optado por investir em um centro de treinamento próprio; e em alguns mais avançados, a Universidade corporativa dá o tom. Mas, somente a educação, sem uma política de retenção dos talentos, irá resolver o problema. Aliás, dará uma sensação de perda maior. É preciso motivar e provar que aquela empresa é o melhor lugar. E para complicar, a geração Y não é mais de “esquentar banco”. Se achar que não vale a pena, vão em busca de outros desafios. Junte-se a falta de talentos, com baixa oferta de capacitação e uma baixa estabilidade dessa nova geração, e está criada uma bomba relógio para “destroçar” qualquer organização, ou aumentar o índice de “ataques cardíacos” de gestores nas empresas. Com a palavra, os empresários e os novos governantes. Tema muito propício para a época.
Data: 11/10/10
targo@targo.com.br
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