A passagem do bastão
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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A empresa mais criativa do mundo – Apple – vive talvez um dos seus problemas mais desafiadores desde a sua criação, e que é também o pesadelo de muitas organizações, ou seja, a transição de liderança e gestão. A pergunta que paira no ar é: Será o sucessor uma pessoa tão brilhante quanto o antigo? Em empresas familiares, o questionamento é outro: Passar o bastão para o filho mais preparado, ou para um profissional não consangüíneo ? Nessas decisões tão importantes está em jogo além da harmonia do grupo, a eternidade de uma empresa. No caso da “maçã mordida” existe muito mais do que uma virada de mercado que Jobs proporcionou, pois tudo isso aconteceu graças a sua mente brilhante, e da forma de pensar totalmente oposta ao paradigma da maioria dos “normais”. Steve é totalmente contra a utilização de pesquisas de consumidores, indo contra o marketing tradicional, que valoriza essa prática. Os produtos são lançados sob a ótica e percepção dele, e cria algo que não é o que o consumidor deseja, mas sim, o que o vai passar a ter necessidade de comprar. É algo meio complicado até de explicar. Mas, a questão é outra: É possível passar a gestão de uma empresa, onde o principal diferencial é a criatividade do atual líder? A Apple continuará a ser a organização mais diferenciada do mundo, a ponto de vender os seus estoques assim que chegam as lojas? A criar filas de consumidores ensandecidos na luta por um de seus produtos? Esse é o grande desafio que enfrentará Tim Cook, cujo cargo anterior era de diretor de operações da Companhia desde 2005. Jobs, na realidade é brilhante até na forma de fazer marketing pessoal e corporativo. Aparece muito pouco, preservando a imagem e fazendo das poucas aparições um verdadeiro show. Pratica a estratégia onde “menos é mais”. Isso se transfere também para o lançamento de produtos, onde, pouco tempo e poucas palavras devem transmitir todo o conceito. Para apresentar o macbook air, o novo invento veio dentro de um envelope. Em um gesto, conseguiu vender a idéia. Além de inventor ele também é “marqueteiro”, características muito difíceis de juntar em uma mesma pessoa. Mais do que um “nerd”, também é publicitário. Ele é um dos raros empresários que não miram o mesmo alvo. Ele atira a flecha, e os concorrentes e clientes pintam o alvo ao redor da flecha lançada. Quando os outros começam a vir atrás, outra lança é disparada para outro lugar. É algo meio “louco” até de entender. O desafio está nas mãos de Tim Cook. Vamos poder comprovar se um jargão é verdadeiro no meio profissional: “Ninguém é insubstituível”. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Data: 26/09/11
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