A missão
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Se você atualmente está empregado, responda sem titubear: Qual a missão da sua organização? É muito provável que você não se lembrará daquela placa, que normalmente fica exposta na parede da recepção, e que praticamente todos os colaboradores nem sabem para que serve. E abaixo desse propósito que deveria ser vivenciado por todos da empresa, provavelmente também estarão os valores e a visão. Tudo muito “bonitinho” no painel, mas infelizmente somente para cumprir normas de programas de qualidade e do “politicamente correto”.
Para que serve a missão de uma empresa?
Na prática, a missão serve para orientar a todos os colaboradores, sobre qual o verdadeiro significado da empresa existir, ou melhor, qual o legado que ela deve construir ao longo de sua existência. Quando todos conseguem “respirar” esse mesmo ar e visualizar o mesmo horizonte, a sinergia acontece, e “todos passam a remar” para o mesmo objetivo.
Um exemplo que serve como ilustração, é um fato ocorrido nos corredores da NASA na década de 60, quando se perguntou ao “serviços gerais” que estava varrendo o chão: “O que você faz aqui nessa organização?”. Sem pensar, ele respondeu: “Aqui, eu colaboro para enviar o primeiro homem a lua!” Quando todos vivenciam diariamente o mesmo senso de propósito, as pessoas que fazem a empresa saem do pensamento individualista, e sentem orgulho em compartilhar a única missão, independente da hierarquia estampada no crachá.
Óbvio e extenso
As empresas mais conservadoras criam as suas missões baseadas em razões óbvias de existência, ou seja, pautam que é oferecer produtos ou serviços de qualidade, baseada na ética e no caráter, para atender as necessidades dos clientes. Sem falsas ironias, mas hoje, se você não fizer ou tiver esses objetivos em sua organização, você está fora do mercado. E sem dizer, que as missões são tão extensas, que quando você termina de ler, não consegue lembrar ou interpretar o conceito, por talvez já ter esquecido como a frase iniciou.
Sou a favor das missões curtas e criativas, que são gravadas facilmente na mente de todos. O da Disney é simples e esclarecedor: “Alegrar as pessoas”. A 3M tem por missão: “Solucionar problemas não solucionados de maneira inovadora”.
Ritual de propagação
Mas, como conseguir propagar isso para organizações que possuem milhares de funcionários? Tudo depende dos líderes, a começar pelo dono ou pelo CEO. É necessário em todas as reuniões lembrar, debater e refletir se todos vivem a missão no dia-a-dia. Para facilitar, é possivel criar os propósitos de cada departamento, que seria uma espécie de mini-missão, que ajudam os colaboradores a entender como o seu trabalho influencia na razão da empresa existir. É necessário muita disciplina para que esse ritual seja repetido no mínimo semanalmente. Não existe “varinha mágica” que crie uma cultura da noite para o dia.
A missão da minha empresa – Targo Consultoria – se resume a duas palavras: “Quebrar paradigmas”. Todos os colaboradores refletem e relatam semanalmente em nossa reunião, se conseguiram agir pelo menos uma vez dessa forma nos últimos dias. E é isso que eu me proponho a fazer todos os domingos nesse espaço do jornal. Fácil? Não, apenas simples e difícil assim.
Data: 01/01/12
targo@targo.com.br
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