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A falência do básico
Autor Carlos Eduardo Oshiro
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Todo país que se preza e busca crescer com sustentabilidade, deve buscar no mínimo se pautar e fortalecer alguns pilares. E dois entrariam na lista, provavelmente no topo das necessidades: A educação e a saúde. Foi se o tempo (pelo menos na minha época era assim) em que o sonho de todo estudante era entrar em uma Universidade Pública. As ditas “federais” eram os objetivos de consumo de dez entre dez vestibulandos. A preparação em cursinhos “de ponta” colaborava para que o sonho fosse realizado, e entrar na faculdade de medicina era sinônimo de uma realização profissional. Era! Tomemos então como exemplo, duas funções que representam muito bem a falência do básico em nosso país: O professor e o médico. O primeiro tem o dever de ensinar, pré-requisito essencial para o crescimento de qualquer nação. O doutor é preparado para cuidar de uma necessidade crucial de qualquer população, ou seja, o direito a saúde. O que deveriam ser profissões de elite, e talvez ganharem o melhor salário de todas as profissões, são os que hoje vivem infelizmente no sub-mundo do sub-emprego. Dificilmente os professores têm dedicação exclusiva no que fazem. Para sobreviver, é necessário “fazer um bico” dando aula, ou lecionar em vários lugares. É impossível ser referência não tendo foco no que se faz. E os melhores mestres acabam por abandonar a profissão, buscando novas funções, simplesmente pela lei da sustentabilidade econômica. O resultado é não termos nenhuma instituição brasileira ranqueada na última pesquisa sobre as 100 melhores faculdades mundiais. Hoje, entrar em uma faculdade pública não é mais sinônimo de status e empregabilidade no futuro. Com raras exceções, a euforia da vitória no vestibular dá lugar a frustração de não ter aulas por falta de corpo docente, ou por não haver laboratórios condizentes para um mínimo de possibilidades de aprendizado. A queda é vertiginosa em relação a organização e preparo dos professores do cursinho, comparando ao que vão encontrar no ensino público. Por esse motivo, as faculdades particulares sérias crescem vertiginosamente em estrutura e alunos. E a regra é clara e simples: Ensino ruim, profissionais ridículos. E daí, chegamos na outra ponta, mostrando o despreparo com que os médicos chegam ao mercado de trabalho. Com a avalanche de doutores “despejados” todos os anos, sobram profissionais e falta qualidade. Assim como os professores, os médicos são obrigados também a ter diversos empregos para poder sobreviver. Sem foco, nada de excelência. E ficam obrigados a fazerem parte de cooperativas que pagam menos do que uma refeição por consulta. E a qualidade dá lugar a quantidade. Enquanto isso, políticos ao invés de discutirem pautas importantes ligadas a falência do básico, votam se implantam CPI’s para investigar colegas corruptos. É necessário ter prioridades. Pelo menos busquem saber o que é Pirâmide de Maslow. Taí uma boa pergunta para a turma do Programa CQC.

Data: 28/03/11
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